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A aceitação da nossa dualidade: um caminho para o autoconhecimento

A aceitação da nossa dualidade: um caminho para o autoconhecimento



Todos os caminhos, espirituais e psicológicos, são tentativas de responder à pergunta: “Quem sou eu?”. 
 
Ser humano é ter defeitos e imperfeições. Todos nós cometemos erros, às vezes magoamos as pessoas que nos são mais próximas, e às vezes nos comportamos muito mal. No entanto, essa simples verdade parece-nos muito difícil de aceitar. Temos uma relutância ainda maior em aceitar as mensagens sobre os nossos “defeitos” vindas de outras pessoas. Imediatamente, erguemos defesas, como se estivéssemos sendo fisicamente atacados. Na verdade, a reação fisiológica de defesa (lutar ou fugir) acaba sendo usada para proteger nossa auto-imagem idealizada, que precisa ter a aparência de certa e de boa, e não de errada e de má. Esquivamo-nos de encarar nossos erros e defeitos porque são uma parte dolorosa, embora inevitável, de quem somos.
 
Quando negamos nossos defeitos, nosso egoísmo, nosso mau humor, nossas mazelas, ficamos enredados na tentativa de parecer melhores do que somos e afastamos a culpa pelas nossas dificuldades. Quando acontece alguma coisa desagradável, respondemos internamente como uma criancinha que ouve a voz da mãe chamando por ela depois que um terremoto abalou a casa. Sua primeira resposta é: “Não fui eu mamãe”. A criança dentro de nós tem medo de reconhecer que possuir qualidades, más ou imperfeitas, signifique que ela é unicamente má, ou, que sendo tremendamente má, ela será julgada ou rejeitada pelos “outros” que, imaginamos, são responsáveis pelo nosso bem-estar.
 
Por medo de um eu imperfeito, criamos um eu-máscara, um eu idealizado, o eu que pensamos que deveríamos ser. Em vez de admitir que somos seres humanos imperfeitos.
 
Todos nós respondemos prontamente “vou bem” quando nos cumprimentam, por maior que seja nossa depressão. Asseguramos prontamente a nós mesmos e aos outros que “eu estou bem, sou competente, posso dar um jeito”, por maiores que sejam a carência ou a infelicidade verdadeiras.
 
Seja lá qual for a máscara criada – o bom menino, a boa menina, a mulher ou o homem poderoso, o aluno aplicado ou o professor brilhante, a super mulher ou o super homem, a criança carente ou o adulto competente, etc – ela é uma tentativa de nos colocarmos num plano acima dos defeitos e da dor, de negar nossa mediocridade e pequenez. Criamos uma máscara sempre que tentamos nos apresentar como pessoas mais amorosas ou poderosas, mais competentes ou carentes, mais compreensivas ou céticas do que realmente somos naquele momento.
 
A fuga à experiência verdadeira do momento representa um enorme desperdício de energia que pode ser recuperada pelo simples ato de decidir aceitar-nos como realmente somos, em cada momento. Essa auto-aceitação implica a compreensão da necessidade da máscara, criada para que a criança dentro de nós pudesse formar uma persona aceitável quando a auto-estima parecia frágil ou ameaçada.
 
À medida que aprofundamos o compromisso de sermos honestos com nós mesmos e com os outros, criamos uma base sólida para a auto-estima. Fazer um bom conceito de si mesmo passa a não depender mais de atender às exigências irrealistas de uma máscara perfeccionista; ao contrário, seu fundamento é a coragem de encarar a realidade humana imperfeita atual.
 
O imenso potencial humano que temos só pode ser realmente nosso depois que ousamos ser exatamente e exclusivamente quem somos em cada momento, por mais mesquinha ou assustadora, grandiosa ou sagrada que seja a realidade temporária.
 
Quando nos dizem que “somos todos terríveis pecadores”, ficamos reduzidos a uma identidade sombria e limitada, baseada na auto-rejeição. Mas, quando nos respondem que na verdade “somos todos anjos disfarçados”, talvez também possamos nos afastar de aspectos nossos e negar a nossa escuridão. Certamente, somos as duas coisas – pecadores e anjos – e mais, muito mais.
 
É extremamente difícil conceber as muitas contradições do ser humano. Quando vemos nossos defeitos, perdemos de vista a nossa magnificência. Quando reconhecemos a nossa beleza, esquecemos a dor e a vulnerabilidade. No entanto, os dois extremos, e tudo o que fica no meio, são parte da experiência humana, parte da nossa experiência, da nossa verdadeira natureza como seres humanos e espirituais.
 
Perceba algo curioso em sua vida, quando aceitamos os atributos negativos que existem em nós mesmos e que tão comumente projetamos nos outros, começamos a ter menos inimigos.
 
Quando aprendemos a amar todos os nossos eus interiores, sem rejeitar nada no nosso íntimo, torna-se fácil amar ao próximo e a Terra.
 
A expansão da autocompreensão precisa começar com uma sinceridade excepcional, em particular em relação aos nossos defeitos e aspectos negativos.
 
E se este texto tiver ressonância no seu íntimo, talvez esse seja um caminho para você se explorar melhor através de um trabalho de autoconhecimento, da psicoterapia que o leva a reconexão com suas potencialidades internas. Todas as nossas experiências de vida não são nem mais nem menos do que um ensinamento preciso para nos ajudar a atingir a fonte interior.

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Autoria

Texto de: Rosemeire Trindade Menoita - Psicóloga Clínica - Espaço Terapêutico Reluz - (11) 2914-8774 - JOL Maio 2007

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