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É urgente a união da classe psicanalítica

É urgente a união da classe psicanalítica


Neste mês o Jornal O Legado entrevista com exclusividade Araceli Albino – Presidenta do SINPESP - Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo, onde ela busca pela união da classe e reporta o valor social do sindicato.

Jornal O Legado - Qual origem do Sinpesp?
Araceli Albino - O Sinpesp - Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo foi fundado em de novembro de 1998, originado da transformação da APPRO - Associação dos Profissionais de Psicanálise do Estado de São Paulo. Essa associação era composta por um grupo de psicanalistas não médicos que buscavam incansavelmente espaço na sociedade psicanalítica do Estado de São Paulo. Desde o tempo de Sigmund Freud, criador da psicanálise, esta sofreu serias descriminações pela classe médica da época. Até hoje, no Brasil e no mundo, a psicanálise leiga foi questionada pela classe medica e pelos psicólogos. As instituições formadoras, ligadas a IPA – Associação Internacional Psicanalítica, por muito tempo não aceitavam a formação de psicanalistas não médicos, depois aceitaram os psicólogos. Aqueles que não pertenciam a esta instituição não podiam fazer a formação nem exercer esta prática. Hoje essa realidade vem mudando e essa transformação começou na França com Jacques Lacan, que foi expulso do IPA por suas idéias quanto a sua formação e a sua clínica. O Sinpesp nasceu paternizado por este grupo de não médicos e não psicólogos que ansiavam transmitir o conhecimento psicanalítico e a exercer sua clínica. Esse grupo fundou a APPRO, posteriormente transformado em sindicato. Uma verdadeira façanha. É a primeira instituição no mundo que pertence a um órgão Federal. Isto é motivo de orgulho e de responsabilidade, pois temos o compromisso de preservar a psicanálise para que seja perpetuada e fazer a diferença no tratamento psíquico.

Jornal O Legado - Qual a finalidade do Sinpesp?
Araceli Albino - O sindicato tem como finalidade congregar, defender e promover a psicanálise tanto no seu conhecimento e na pesquisa cientifica, quanto no tratamento clínico.

Jornal O Legado - Foi um processo de constituição árduo?
Araceli Albino - O sindicato teve seu ápice em 1998 com a conquista da carta sindical, porém não houve seguimento no processo. No ano 2000, psicanalistas sob a presidência de Maria Fátima Mora, retomou o trabalho em prol da regulamentação, o que foi conseguido no final do ano de 2005, já na minha administração.
Jornal O Legado - E hoje como o Sinpesp está comprometido?
Araceli Albino – Hoje, temos um sindicato legalizado, junto aos órgãos federais e municipais, uma diretoria comprometida com a psicanálise e preocupada com o rumo da psicanálise do Brasil e um estatuto, código de ética e regimento interno, que devem ser seguidos pelos nossos associados. Temos, também, o compromisso com a prática psicanalítica fundamentada em seus preceitos originais e o de garantir o direito ao trabalho para os psicanalistas que não têm graduação médica ou psicólogos.

Jornal O Legado – Isso quer dizer que estão preparados juridicamente?
Araceli Albino – Sim, o nosso departamento jurídico está preparado com toda documentação legal para defender esse profissional.

Jornal O Legado - E quais outros objetivos?
Araceli Albino - Outro objetivo é fundar a Federação Brasileira de Psicanálise. Para tanto, já estamos nos organizando para fomentar a criação de sindicatos em outros estados da federação.

Jornal O Legado - E o que representa para a Psicanálise a criação de uma federação?
Araceli Albino - A Psicanálise não é regulamentada - é um curso livre - e fica a critério das instituições formadoras, regulamentar a sua formação, isto ocorre desde Freud. Acreditamos que as instituições formadoras são as que devem estabelecer os critérios de formação que são seguidos mundialmente. Mas sabemos que existem inúmeras instituições que não seguem os critérios internacionais e, por isto, hoje temos uma realidade paralela, onde profissionais despreparados estão atuando sem critério definido, sendo esta uma realidade no Brasil e em outros países, a Federação servirá para corrigir esses desvios.

Jornal O Legado - A Federação irá abranger todas as escolas psicanalíticas?
Araceli Albino - A democracia abre para as diversidades, mas as regras que fundamentam a psicanálise devem ser seguidas, por isso, resolvemos enfrentar o problema. Temos uma instituição ligada ao Ministério do Trabalho que pode congregar toda vertente do campo psicanalítico. Não adianta ficar no meu gabinete psicanalítico fechado às mudanças sociais do país, nós queremos ser participativos. A classe psicanalítica deve fazer uma séria reflexão sobre os rumos da psicanálise no Brasil e trazer sua contribuição no sentido do conhecimento da psicanálise tanto pratico como teórico.

Jornal O Legado - Como o Sinpesp vê as instituições formadoras?
Araceli Albino - Nós estamos trabalhando no sentido de manter a ética e as regras fundamentais da psicanálise, tanto na formação quanto no exercício da clínica. O Sindicato tem uma preocupação com a instituição formadora que não tem formação criteriosa quanto à teoria, análise pessoal e supervisão. Portanto, é urgente a união da classe psicanalítica para estancar esse dique.

Jornal O Legado - O que o Sinpesp oferece para a população?
Araceli Albino - O Sinpesp criou uma clínica social com a finalidade de estender o atendimento psicanalítico a todas as camadas sociais. É destinado, também, aos estagiários das instituições formadoras conveniadas e aos associados. Temos profissionais competentes que compartilham com essa visão humanista de Freud e preocupados com a situação sócio-econômica do Brasil. Acreditamos que, quanto mais a psicanálise se tornar acessível para todos, mais estaremos contribuindo para a transformação da realidade brasileira.


SINPESP - Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo - (11) 2013-2015

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Autoria

Texto de: JOL Abril 2007

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