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Nem só de Hatha Yóga vive a Índia

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Hatha Yóga Clássico II

Os sete ramos Clássicos do Yóga

No princípio da criação, este planeta ainda não era habitado. No mesmo reinava apenas os elementos puros da natureza, a terra, a água, o fogo, o ar e o éter ou energia radiante escalar.

Passaram-se bilhões de anos até que houvessem as primeiras configurações surgindo assim o que se denominou continentes. Novas transformações ocorreram e por meio de grandes mudanças geográficas, chegou-se ao que vemos hoje nos mapas-múndi. Só após muito tempo, surgiu aqui os primeiros lêmures que na época tinham uma forma etérea e não corporificada propriamente, depois surgiram as outras criaturas. Daí, vieram os enteais e depois os seres da água e por fim os animais e então os seres que se denominam erroneamente como humanos. E todos viviam em profunda harmonia, no meio de uma flora e fauna radiante e compunham uma única natureza.

Com o passar das grandes eras, tudo aquilo foi se perdendo até chegarmos nesta estupida realidade de hoje. Porém desenvolveu-se uma história e, é sobre uma parte sublime da mesma que eu vou tratar.

Na alvorada da criação

Nos primórdios da civilização, originou-se também em uma grande parte do Oriente, um conjunto de conhecimentos ancestrais ao qual se deu o nome de “Yóga Clássico”! E muito tempo após, o mesmo foi codificado lentamente, ao longo dos 25 mil anos, em sete ramos ou famílias de métodos, práticas, conceitos, teorias e filosofias altamente elaboradas e voltadas para o aperfeiçoamento e o equilíbrio interior de qualquer um que adotasse seus ensinamentos. Estes ramos são:

1) Raja Yóga, o mais antigo e aperfeiçoado de todos;
2) Hatha Yóga, o mais prático e adequado aos ocidentais;
3) Karma Yóga, aquele que traz o conhecimento da vida;
4) Jnana Yóga, aquele que contém toda a filosofia existencial;
5) Tantra Yóga, aquele que contém o conhecimento da saúde e do bem estar;
6) Bhakti Yóga, aquele que contém o conhecimento do amor e da devoção espiritual e 7) Mantra Yóga, aquele que contém o conhecimento dos sons, das ondas e vibrações dos múltiplos universos quânticos.

Tratemos então sobre os mesmos:

1) O Raja Yóga, ou onde tudo começou

O Raja Yóga é o método de práticas mais antigo e avançado dos sete ramos clássicos, aquele que promove o grande salto quântico, a realização interior - Samadhi - com simplicidade e espontaneidade. Considerado e reconhecido em todo o Oriente, como o mais elevado de todos, nos conduz por meio de suas técnicas refinadas à alegria e à felicidade. Além de trazer profundo equilíbrio. Também nos traz a pureza - Satva - que produz a prática pura ou Satívica, tal prática acessa as estruturas sutis do cérebro e dos sentidos sensoriais, gerando um poderoso estado de super consciência, dando uma capacidade real de se atingir outras dimensões mais profundas do ser. Nas práticas, o cérebro produz um fluxo mais intenso de endorfina e dopamina, e tal processo gera imensa felicidade e alegria, e um prazer inesgotável, um verdadeiro princípio de Iluminação - Samadhi - por meio da concentração - Dharana - e da Meditação - Dhyana - que conduz ao Oceano Cósmico de Consciência. E tal consciência mostra o Dharma - a lei cósmica eterna - que deve ser seguida por todos e por tudo, e a diferença entre o mundo espiritual e o mundo material, ou entre o “ser” e a escravidão do “ter”. Pois no Raja Yóga, o praticante é sua própria consciência manifesta.

2) O Hatha Yóga, ou o Caminho da Salvação

O Hatha Yóga reúne um conjunto simples e fácil de exercícios e técnicas, que pode ser praticado duas vezes por semana, pela manhã, à tarde ou à noite e tem efeitos benéficos cumulativos, gerando motivação, entusiasmo, autoestima, melhorando a memória e a concentração, eliminando vícios e trazendo um mundo de paz interior às pessoas. E a cada ano que se pratica o Hatha Yóga, as práticas ficam melhores, mais gostosas e divertidas, e o conjunto das técnicas trazem alegria e prazer. O cérebro e o coração, tornam-se tranquilos e serenos, por uma via simples, natural, sem nenhum esforço e o (a) praticante, a cada dia sente-se mais saudável, disposto e inteligente, pois segue as reais tendências do seu coração e do seu cérebro. E a prática funciona, quer alguém acredite nela ou não.

Hatha Yóga, um programa de autodesenvolvimento pessoal

Com inúmeros estudos de resultados, publicados em prestigiosas revistas e jornais científicos, que demonstram seus benefícios sem precedentes em todas as áreas da vida das pessoas que o praticam, desde melhoras eletro-somatológicas - emocional, nervosa e psicológica - cerebrais, educacionais e profissionais, com fortalecimento da natureza-personalidade-comportamento, refletindo beneficamente nos relacionamentos interpessoais. O Hatha Yóga é o caminho prático e direto da saúde, da paz, da alegria e do amor.

3) O Karma Yóga, ou o conhecimento da vida

O Karma Yóga é um ramo clássico do Yóga que desde tempos imemoriais, traz ensinamentos sólidos e diretos para que cada criatura, cada ser e cada pessoa, possa ter um modo de vida equilibrado consigo mesmo e com todos os outros que lhe rodeiam. O mesmo, por meio de orientações coerentes e sensíveis, busca mostrar que qualquer um pode viver bem, plenamente feliz e equilibrado, mesmo a despeito do mundo ou dos diferentes ambientes que o rodeiam. E que a felicidade e o equilíbrio, não dependem de fatores externos ou materiais, mas sim do grau de consciência de cada um e das atitudes que possam vir a tomar frente às diferentes situações do cotidiano. O Karma Yóga também apregoa que para viver bem e com equilíbrio, não é necessário ser diferente, abandonar a vida cotidiana, o trabalho, mas sim, buscar o equilíbrio e a mudança interior para melhor, em cada ação, cada atitude, cada pequeno ato, cada gesto, mas sem se apegar aos mesmos, sem se iludir com nada ou com momentos ou situações banais do dia-a-dia.

4) O Jnana Yóga, ou o conhecimento existencial

O Jnana Yóga, antes de tudo, busca o conhecimento existencial, o conhecimento do ser, e uma compreensão profunda do universo, do seu significado e da sua razão de ser. Mais que isto, procura desvendar e compreender como tudo foi criado e se possível, até mesmo sua “Divina Origem Criadora”. É um ramo clássico tão profundo quanto os outros, e baseado em visões e pensamentos filosóficos ou escolásticos, com forte predominância na busca da autorrealização, por meio de questionamentos interiores, onde tenta-se descobrir a própria origem do Ser e a sua razão de ser. Não importa se uma criatura, um ser ou um ser humano. O Jnana Yóga, valoriza amplamente o conhecimento puro, a filosofia, a vida, a natureza, o universo, a flora e a fauna com toda a sua exuberância esplendor. E muito embora aqui neste planeta o gênero homem tenha se tornado um predador, fanático, doentio e ganancioso, o Jnana Yóga representa uma rica possibilidade de regeneração para o gênero homem.

5) O Tantra Yóga, ou o conhecimento da saúde

O Tantra Yóga é outro ramo clássico do Yóga, voltado para a saúde, o bem estar e o equilíbrio da sociedade. A própria palavra Tantra, vem da raiz Sanskrita - a língua mãe e viva da índia - Tantori que significa tecer a teia ou a trama da vida e da própria sociedade planetária. Um ramo quase perdido na atualidade e muito distorcido no Ocidente, o Tantra Yóga puro traz fantásticos conhecimentos voltados para a saúde, para o bem estar e a qualidade de vida. Também, traz orientações especiais sobre medicina, higiene, relacionamento pessoal, e social, educação, alimentação natural, terapias naturais. Mais ainda, ensina detalhadamente como produzir alimentos saudáveis, como lidar corretamente com ervas, raízes, resinas, unguentos, chás e outros elementos adequados a uma vida e uma saúde melhor. Todas as suas práticas são neste sentido, por um ser melhor e um mundo melhor. E especialmente, onde a natureza e o habitat possam ser sempre respeitados e preservados.

6) O Bhakti Yóga, ou o conhecimento do amor

O Bhakti Yóga, entre os sete ramos clássicos é o mais sublime e o mais singelo, já que é aquele que trata sobre o amor, o carinho e a devoção sobre a relação em seus diferentes estágios, em suas diferentes facetas ou implicações. Na relação amorosa ou devocional, há aquela entre a amada e o amado e que não deve degenerar-se em um simples contato cotidiano e desgastado. Há aquela, familiar, entre mãe, pai e filhos e que não deve degenerar-se por questões emocionais. Há aquela entre os parentes, que não deve degenerar-se em um mero contato relacional. Há aquela entre o ser e a natureza, que deveria ser sagrada, mas que está se perdendo no meio da destruição ambiental, da poluição, do acumulo estarrecedor de resíduos não reciclados. E pelo forte impacto da atual e desmesurada ganância do gênero homem. Por fim, há a relação amorosa e devocional entre o ser que pensa que é individual e a “Divina Origem da Criação”. A mais pura e mais elevada de todas as relações, pois é espiritual e precisa ser resgatada urgentemente neste planeta.

7) Mantra Yóga, ou o conhecimento das vibrações quânticas

Dentro dos sete ramos clássicos do Yóga, O Mantra Yóga destaca-se por lidar com o conhecimento e harmonia dos sons, das ondas e das vibrações dos múltiplos universos quânticos e de todos os seus Ad-infinitum desdobramentos. Seu estudo, assim como dos outros ramos forma uma verdadeira ciência. Mas há uma seção especializada do Mantra Yóga que também é voltada para o domínio do cérebro em seus diversos cortex. Neste sentido, a palavra Man oriunda da língua Sanskrita, significa interior do cérebro, e a palavra Tra, da mesma origem, significa controle, administração ou mesmo educação. Daí o Mantra Yóga, com todos os seus mais diferentes hinos - Stotras - ou entoações e cantigas ser utilizado amplamente - quando bem conhecido - para acalmar e estabilizar as ondas elétricas cerebrais e manter o mesmo equilibrado e em plena harmonia.

Conclusão

É muito importante frisar, que dos sete ramos clássicos, ao longo do tempo, apenas o Hatha Yóga tornou-se conhecido e praticado amplamente no Ocidente, já que suas práticas são fáceis e simples de serem realizadas por qualquer pessoa, sem restrições. Ao passo que as outras seis escolas ou ramos, são de muito difícil acesso até mesmo para os orientais, já que requerem muita disciplina e longa dedicação. Outro fato interessante, é que periodicamente no Ocidente, surgem e desaparecem de forma muito breve, as chamadas “modalidades” do Yóga, que nada mais são que excertos ou corruptelas de “partes” do Hatha Yóga tradicional.

Até o próximo mês e Namaste.

 

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Autoria

Texto colaboração de Claudio Duarte - Doutor em Yóga, Delhi/Índia - Fundador da Universidade Aberta de Yóga - Unesco member / PACY member – (11) 3288-8860 - Julho 2015

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