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Moxabustão – A Arte do Fogo 2

Moxabustão – A Arte do Fogo 2

Embora não haja relatos claros é geralmente aceito que a moxabustão teria se originado na China antiga na chamada sociedade primitiva. No período do chamado Homem de Pequim ou de Beijing (denominação científica original: sinanthropus pekinensis; denominação científica atual: homo erectus pekinensis) que viveram na Ásia há 400 mil anos, já se conhecia o uso do fogo e como iniciá-lo, o que forma o pré-requisito básico para o uso da moxabustão.

A artemísia é uma planta que se inflama com certa facilidade e que, desde os tempos mais antigos, crescia por toda a China, sendo que a possibilidade da utilização da artemísia para a geração de fogo e, posteriormente, a moxabustão pode ter ocorrido de forma natural.

Os mais antigos achados médicos, escritos com menção explícita à prática da moxabustão foram encontrados no túmulo da Dinastia Han de Ma Wuang Dui, que teria sido enterrado muitos anos antes da existência do Imperador Amarelo. Nestes túmulos foram encontrados dois importantes textos o Zu Bi Shi Yi Mai Jiu Jing (足臂十一脉灸经 zú bì shí yī mài jiǔ jīng), Clássico de Moxabustão dos Onze Canais da Mão e do Pé, e o Yin Yang Shi Yi Mai Jiu Jing (阴阳十一脉灸经 yīn yáng shí yī mài jiǔ jīng), Clássico de Moxabustão dos Onze Canais Yin e Yang.

No decorrer do Huang Di Jei Jing (皇帝内经 huáng dì nèi jīng), Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo, o mais importante texto médico de toda a Medicina Chinesa, possivelmente da Dinastia Han (entre 206 A.C. e 220 D.C.), que divide-se em duas grandes partes, o Su Wen (素问 sùwèn) e o Ling Shu (灵枢 língshū), é possível encontrar diversas passagens que mencionam a prática da moxabustão.

No capítulo Guan Neng, 73 do Ling Shu, aparecem importantes afirmações e recomendações quanto à utilização da moxabustão:

“Às doenças onde o agulhamento não for adequado, aplicar moxabustão”.

“Para aqueles em que tanto o Yin como o Yang estiverem deficientes, aplicar a terapia da moxabustão”.

“Quando o paciente tiver os pés frios e o frio for bastante severo, ou que a musculatura junto aos ossos estiver deprimida, ou que a extensão do frio tenha ultrapassado os dois joelhos, deve-se aplicar moxabustão no ponto E36 (Zusanli)”.

“Quando o Canal estiver deprimido, aplicar a terapia da moxabustão; quando o Canal estiver nodoso e firme, aplicar também a moxabustão”.

Paul U. Unschuld, em seus comentários sobre o Su Wen, os Colaterais (Luo) são de natureza Yang em relação aos Canais (Jing) que são de natureza Yin. Os Colaterais (Luo) devem ser agulhados para a retirada do excesso, enquanto que os Canais (Jing) devem ser estimulados com moxabustão para serem tonificados.

Durante a Dinastia Ming teriam sido desenvolvidos importantes métodos de moxabustão como por exemplo a utilização de bastões para a moxabustão suspensa, ou ainda a utilização da moxa aplicada na agulha (Wen Zhen). Esta última aplicação possui uma história controversa, visto que muitos advogam que teria sido uma invenção japonesa, mais moderna.

Em relação ao ocidente, a história relata que é possível que a moxabustão tenha sido introduzida na Europa pela China no século XVI, porém nada pôde ser encontrado na literatura médica ocidental até 1580 quando Prosperi Alpini, ao escrever sobre a medicina egípcia, mencionou rapidamente a moxa.

No entanto, somente no final do século XVII que algum interesse e valor como modalidade terapêutica foi dado à moxabustão, após a publicação de informações separadas por Herman Buschof (1674), Andréas Cleyer (1682) e Willem ten Rhijne (1683).

Sendo que a história da medicina coloca que o holandês Willem ten Rhijne como o primeiro a apresentar um relato escrito e detalhado sobre a Medicina Chinesa no ano de 1683, com base na sua estada de 02 anos no Japão como médico da Companhia Dutch East Índia Company.

No Brasil a prática da Moxabustão teve início possivelmente em conjunto com a prática da Acupuntura com a chegada dos primeiros imigrantes chineses no Rio de Janeiro por volta do ano 1810, mas certamente foi com a chegada dos navios japoneses em 1908 em diante que a moxabustão teve um impulso maior, mesmo que inicialmente apenas dentro dos membros da colônia japonesa.

Atualmente a prática da Moxabustão, seja na visão Chinesa, seja na visão Japonesa, tem crescido, mesmo que acanhadamente, junto aos profissionais das terapias orientais por conta de seus grandes efeitos terapêuticos, ampliando as possibilidades de ação do profissional e, certamente, melhorando os resultados clínicos.

Estes artigos relacionados com a prática da moxabustão tem por objetivo estimular no leitor o interesse por esta que é uma das grandes terapias orientais e que acabava sendo descartada por alguns praticantes.

 

Ps.: Parte deste texto vem diretamente do livro do autor a ser lançado em breve

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Autoria

Texto e fotos colaboração de Dr. Reginaldo de Carvalho Silva Filho - Diretor Geral da Escola Brasileira de Medicina Chinesa - Professor Associado da Federação Mundial de Medicina Chinesa (WFCMS) - www.ebramec.com.br - Outubro 2015

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