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Por que o brasileiro é apaixonado por açúcar?

Por que o brasileiro é apaixonado por açúcar?



Parte da cultura e história do mundo, o ingrediente se mantém até hoje como umas das principais fontes de alimento e de renda no País



Pesquisa realizada com pacientes do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia no âmbito da Campanha Doce Equilíbrio identificou que 71% da população consome açúcar habitualmente e, desse total, 26% ingere alimentos açucarados todos os dias. Os dados reforçam a forte ligação do brasileiro com o açúcar, o que já vem de muitos séculos. Além de ser a principal fonte de energia utilizada pelo cérebro, o ingrediente traz a sensação de bem-estar e ainda tem um papel muito importante na culinária.

Esses fatores compõe um cenário histórico e cultural relevante conhecido também como a Rota do Açúcar. Decorrente do processamento da cana, que tem seu primeiro registro há cerca de 12 mil anos, o produto chegou ao Brasil com as caravelas de Cabral, no século XVI, época do Descobrimento. Os portugueses estabeleceram engenhos de cana no País e trouxeram a tradição dos doces e da utilização do ingrediente em diversos pratos.

O produto foi a principal fonte de renda do Brasil no período colonial, e até os dias atuais tem forte presença na economia e na rotina alimentar dos brasileiros, principalmente nos preparos culinários de doces e bebidas. Como mostra a pesquisa feita no Instituto Dante Pazzanese, 88% dos que consomem açúcar afirmam utilizar o ingrediente no chá ou café, enquanto 62% preferem adicioná-lo em sobremesas e bolos.

Segundo o antropólogo e autor do livro Caminhos do Açúcar, Raul Lody, “o paladar doce é extremamente cultural, foi desenvolvido a partir do costume português de acrescentar o produto aos diversos alimentos e usá-lo em diversos tipos de celebrações. Deste modo, o brasileiro criou uma memória baseada nesta tradição.”

Na Idade Média, o açúcar foi considerado uma especiaria. Mais caro que o grama do ouro, era utilizado como medicamento e entregue como presente para papas, reis e nobres. Além de sua raridade, que provocava cobiça, associava-se aos produtos do Éden, aproximando homens e deuses.

Raul Lody explica que, por esses motivos, até hoje o doce é valorizado como um presente ou uma experiência gastronômica de grande valor. “Formou-se no mundo um entendimento de que tudo aquilo que chega do açúcar da cana está repleto de significados, de alegria a prazer”, afirma.

Equilíbrio

Nos dias atuais, um dos assuntos mais discutidos em torno do ingrediente é a sua relação com algumas questões de saúde. A boa notícia é que o açúcar pode ser consumido normalmente, levando sempre em conta a recomendação da nutricionista Marcia Daskal, de que a ingestão deve ser feita de forma equilibrada.

“As pessoas gostam de comer produtos açucarados e não há problema se isso acontecer diariamente, desde que se avalie a quantidade. Precisamos parar de eleger vilões e resgatar o prazer pela comida. Olhar para o alimento não isoladamente, mas num contexto de vida”, salienta a especialista.

Com séculos de história, o uso do açúcar e das demais especiarias fez nascer e crescer uma gastronomia com centenas de criações. “O ingrediente não só dá prazer, mas também auxilia o organismo a ser mais produtivo. Por este motivo, é uma paixão mundial, não devendo ser excluído do cardápio e sim valorizado”, complementa Marcia.

Sobre a pesquisa

“Consumo equilibrado: uma nova percepção sobre o açúcar”

A pesquisa realizada pelo Instituto Dante Pazzanese para a Campanha Doce Equilíbrio tem o objetivo de compreender os hábitos e comportamentos de quem consome açúcar. Foram realizadas 1.199 entrevistas com homens e mulheres de 18 a 85 anos – pacientes do ambulatório do hospital e pertencentes às classes A, B e C – durante os meses de setembro e dezembro de 2015.


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Autoria

Texto e foto de Gaia Temin - Burson-Marsteller - Jornal O Legado - Agosto 2016

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