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Orgonites com “Kriptonita quântica”

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Orgonites. – É a bola da vez. Os modismos na área alternativa/esotérica se sucedem com a velocidade do consumo. Uma vez consumidos são descartados. Sempre tem um novo modismo na fila de espera.

Orgonites – o nome não deixa dúvidas, - é baseado no conceito do Orgônio de Reich.

O médico e psicanalista W. Reich, promovia tratamentos expondo os pacientes à energia de um acumulador. O dito aparelho tinha a dimensão aproximada de uma cabine telefônica. O paciente sentava numa cadeira em seu interior, por uns 30 minutos. As sessões se repetiam até à cura definitiva.

O aparelho era formado de várias camadas intercaladas de material orgânico e inorgânico. Um desses aparelhos, usado numa experiência famosa, tinha 20 camadas. O aparelho transformava a energia ambiente em estado difuso, em estado coerente e devido às múltiplas camadas aumentava seu potencial, tornando esse estado em dinâmico. O processo acontecia, pois, de fora para dentro.

Um determinado potencial, força, energia não pode concomitantemente originar dois fenômenos diametralmente opostos. Se o Orgônio do Reich se condensava de fora para dentro os orgonites usando a mesma energia não podem funcionar de dentro para fora.

De dentro para fora seria a criação da energia universal inesgotável, afetando a primeira lei da termodinâmica. Reclamamos o Nobel da física pró Zézinho dos orgonites, criador da entropia inversa.

Os orgonites geram energia em seu interior (energia holística), já que aplicável em qualquer finalidade, - na cura, nos ambientes, na bateria do carro etc. A explicação para este imbróglio?
Física Quântica! A denominação quântica não explica fenômenos físicos, indica uma dimensão. - Quantum: a porção menor de uma matéria, ou ainda porção discreta de uma matéria.
A Quântica foi aculturada e passou a ser usada como bordão para explicar o não explicável ou de difícil explicação. Ilustrando o equívoco: o exemplo clássico da Física quântica é a de uma partícula subatômica (SUBATÔMICA) projetada para um alvo com duas janelas, indecisa por qual passar, desaforadamente passa pelas duas ao mesmo tempo. Os aficionados apropriam-se de exemplos pertinentes a fenômenos próprios da física estabelecendo relações com atos do cotidiano, sendo um deles o do Princípio da incerteza e a ação involuntária do observador no evento em curso. Saímos da teoria de Plank para a fantasia de Trigueirinho.

A história nos conta algo parecido (PARECIDO), chamava-se o dom da ubicuidade, que atualmente virou bilocação (que não é exatamente a mesma coisa). Santo António um dia prestava testemunho para seu pai em um tribunal em Portugal e na mesma hora oficiava uma missa em Parma.

Tudo atualmente é quântico, de tanto usado, o termo se apequenou – aí virou quantiônico, taquiônico, e outros mais.

Voltemos aos orgonites. Eles criaram um movimento Reichiano, o dinheiro sai dos bolsos dos incautos e vai para o bolso do Zézinho dos orgonites. Para provar a eficiência dos ditos ele deveria colocar à guisa de testemunho uma notinha de 2 Reais embaixo de um de seus orgonites e pelo efeito propagador universal que lhes é próprio, encher nossos bolsos de Reais. Vai Zézinho, vai!!!

Logo logo os orgonites estarão no fundo da gaveta, fazendo companhia aos quartzos rosa, às ametistas, às turmalinas salvadoras do mau olhado, aos gnomos de plástico, aos anjos da cabala, às sobras de velas dos rituais, a alguns vidros de florais, a um maltratado livro da Profecia Celestina. Façam espaço para os orgonites que na fila de novidades já temos as mesas radiônicas quânticas, psiônicas apométricas, que cá pra nós são extraordinárias, capazes de em segundos ao rodar de um pêndulo curar bloqueios, neuroses, encostos, antepassados, ambientes etc. São tão lindas, coloridas. – Tou louco pra usar uma, - vou ajudar um montão de gente.... Fala sério!


Texto colaboração de António Rodrigues - Escritor, autor de múltiplos trabalhos no âmbito da radiestesia - casadaradiestesia@gmail.com - Dezembro 2016

 

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