Corpo e Mente
O Hatha Yóga aplicado no combate às LER

O Hatha Yóga aplicado no combate às LER


Hatha Yóga Clássico XX


Em capítulo anterior a este abordei um tema quase esquecido na sociedade atual, qual seja, “A Arte de Ser Feliz” e como por meio das práticas do Hatha Yóga e de várias outras, o resgate da felicidade pode tornar-se uma via concreta tanto para a saúde e o bem-estar, quanto para muitas outras finalidades. Mostrei como muitas vezes, pequenas atitudes ou atitudes muito simples podem gerar alegria, prazer, entusiasmo e mesmo um forte sentimento de autoestima. E de que forma as práticas do Hatha Yóga servem para gerar, produzir ou chegar a estes processos interiores, de uma maneira direta e sem complicações.

Neste novo capítulo, vou abordar uma outra questão que embora esteja muito presente no pseudo-mundo moderno, passa desapercebida por uma multidão de pessoas. E mesmo que esta questão seja da mais delicada profundidade, pois envolve tanto a vida profissional quanto a pessoal, atualmente ela é quase ignorada ou mesmo desconhecida por inúmeras pessoas. Por sinal, este capítulo vai se desdobrar em diversos outros, pois o tema é tão amplo e envolve tantos aspectos sobre a saúde, sobre doenças, sobre diferentes possibilidades. Primeiro vou procurar expor o tema sob diferentes aspectos e ângulos e só após, vou fazer uma abordagem muito específica sobre como se deve utilizar as práticas do Hatha Yóga, como elemento ou instrumento ou ferramenta de combate às LER.

Delineando as LER

A sigla ou a palavra LER, significa Lesões por Esforços Repetitivos e o termo foi criado há alguns anos, para identificar todo um conjunto de doenças que atinge as mais diferentes regiões do corpo humano, e em função direta ou de atividades profissionais que exigem constantes repetições nos ambientes de trabalho, ou de atividades pessoais que exigem constantes repetições nos ambientes de lazer, tipo uma academia, ou mesmo de atividades pessoais que foram desenvolvidas através de vícios repetitivos de postura ou vícios repetitivos de movimentos. Mas em geral, uma LER quase sempre advém de ambientes de trabalho e de funções desenvolvidas de forma repetitiva em ambientes de trabalho. E via de regra, são doenças muito bem caracterizadas e que podem ser agudas - surgidas há pouco tempo - ou crônicas, surgidas há longo tempo e ou não tratadas, ou não tratadas corretamente ou mesmo ignoradas, seja por desconhecimento de causa, seja por desatenção. Mas os resultados das LER são sempre danosos e muitas vezes devastadores para a saúde física e para a saúde eletro-somatológica.

Os possíveis locais onde podem surgir as LER

As LER podem atingir qualquer parte do corpo humano, porém tem características muito diferentes para cada região que é prejudicada, gerando diferentes sintomas e diferentes problemas. Podem atingir inclusive o sistema eletro nervoso e o sistema eletro emocional após instaladas em diferentes escalas. Como exemplo, podem atingir tendões, neuro-músculos, estrutura do pescoço, da coluna, das mãos, dos punhos, dos braços, antebraços, das virilhas, das coxas, das pernas, e se configuram a partir de inflamações que vão se ampliando e geram fortes dores físicas e até mesmo psicofísicas, ou seja ultrapassam os limites do corpo e ao se tornarem crônicas se somatizam de diferentes maneiras.

Alguns tipos de LER:

a-) Tenossinovite - configura-se por inflamações nos tecidos que revestem os tendões, de forma geral e em diferentes regiões.
b-) Tendinite - configura-se por inflamações nos tendões, de forma geral e em diferentes regiões.
c-) Epicantilite - configura-se por inflamações nas estruturas dos cotovelos.
d-) Epicondilite - configura-se por inflamações nas estruturas dos dedos das mãos.
e-) Bursiti - configura-se por inflamações nas pequenas bolsas - bursas - que situam-se entre os ossos e tendões das articulações dos ombros. Também pode ocorrer a partir de compressão do nervo mediano que chega ao punho.
f-) Miosite - configura-se por inflamações dos neuro-músculos em qualquer região.
g-) Síndrome cervico braquial - configura-se por compressão e inflamação dos nervos na coluna cervical.
h-) Síndrome do túnel do carpo - configura-se por compressão e inflamação do nervo mediano a partir do punho.
i-) Síndrome do ombro doloroso - configura-se por compressão e inflamação no ombro, atingindo nervos e vasos.
j-) Síndrome do desfiladeiro torácico - configura-se por compressão e inflamação em regiões do plexo, atingindo nervos e vasos.

Os chamados estágios das LER

Conhecendo-se ou diagnosticando-se os diferentes estágios das LER, fica mais fácil tanto aplicar-se exercícios adequados do Hatha Yóga para mitiga-las ou para elimina-las e - claro - para também buscar-se os tratamentos e os remédios adequados e sem efeitos colaterais para eliminar as mesmas. Estes estágios são classificados em diferentes graus:

Grau 1
Caracteriza-se por sensação de peso ou desconforto na região afetada. Ocorre dor no local e às vezes também, pontadas ocasionais na região afetada. Nesse estágio a dor é leve e tende a melhorar com repouso. Tal tipo de dor pode se manifestar quando se comprime a neuro-musculatura envolvida e pode ser detectada por meio de exame clínico ou outro. O prognóstico de tratamento neste caso é positivo.

Grau 2
Caracteriza-se por dor intensa e persistente. Costuma surgir durante jornada de trabalho ou em academia de forma intermitente. Em geral é tolerável mas permite o desempenho de atividades profissionais ou de lazer, mas com o tempo, aumenta e afeta a produtividade ou o rendimento nos períodos em que fica mais forte. Via de regra é localizada e pode vir acompanhada de calor ou formigamentos locais, além de gerar leves distúrbios de sensibilidade. Pode ser detectada ao apalpar-se os neuro-músculos de uma região. Mesmo assim, possíveis sinais clínicos ainda estão ausentes. O prognóstico de tratamento neste caso ainda é positivo.

Grau 3
Caracteriza-se por dor mais forte e persistente e tem irradiação bem definida. Neste caso o repouso só atenua a intensidade, mas sem fazer a dor desaparecer por completo. E a dor costuma inclusive surgir durante a noite. Também, perde-se parte da força neuromuscular. Neste grau ocorre queda de produtividade ou de atividade e inclusive a impossibilidade de executar-se uma função profissional ou uma atividade de academia ou lazer. Até mesmo trabalhos ou atividades domésticas podem tornar-se limitados ou mesmo impossíveis de serem realizados. Inchaços são frequentes, inclusive transpirações locais e alteração de sensibilidade. Movimentar ou apalpar um local afetado causa forte dor e os sinais clínicos estão presentes. Se houver um afastamento do trabalho nesta fase o retorno torna-se bastante problemático. O prognóstico de tratamento neste caso é negativo e demanda muito tempo.

Grau 4
Caracteriza-se por dor muito forte e contínua, muitas vezes insuportável e levando a intenso sofrimento. A dor aumenta com os movimentos e estende-se por toda a região afetada. A dor ocorre até mesmo quando algum membro está imobilizado e, há perda de força e inclusive do controle dos movimentos de forma constante. Podem ocorrer deformidades e os inchaços são constantes. Surgem atrofias nos dedos, especialmente em função do desuso dos mesmos. As atividades do dia-a-dia tornam-se impossíveis. Surge incapacidade no trabalho e a invalidez que se configura pela impossibilidade de se realizar o mesmo de forma normal e constante. Nessa condição, são comuns alterações somato-emocionais ou psicológicas, com problemas delicados de angústia, ansiedade, depressão, tristeza, amargura e impotência. O prognóstico de tratamento neste caso é sombrio e pode ser irreversível.

Por tratar-se de um tema extremamente importante e desconhecido de boa parte da sociedade, seja no aspecto profissional, seja no aspecto pessoal, nos próximos capítulos vou continuar aprofundando o mesmo. No seguinte, já vou abordar “os sintomas” pois este é um dos pontos chaves para se evitar a progressividade da doença ou mesmo para eliminar-se a mesma na raiz.




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Autoria

Texto colaboração de Claudio Duarte - Doutor em Yóga, Delhi/Índia - Fundador da Universidade Aberta de Yóga - Unesco member / PACY member – (11) 3288-8860 - Janeiro 2017

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