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2018 – O Ano Wu Xu (Cachorro de Terra Yang)

2018 – O Ano Wu Xu (Cachorro de Terra Yang)

 

 

            A cada reinício de ciclo, jornais e revistas fomentam uma série de escritos sobre uma tal dinâmica astrológica do ano. Os leitores esperam ansiosos, os incrédulos tornam-se, no mínimo, curiosos, e os mesmos livros de outrora sobre o assunto enchem as prateleiras de maneira sutilmente reeditada, repaginadas com capas de cores vibrantes (o vermelho e dourado para aos temas chineses são clássicos) com o comumente subtítulo “Tenha sucesso e abundância em 2018!”. São mostradas as potencialidades, impactos e cuidados que uma determinada condição estelar, cósmica ou numerológica traz aos navegantes terrestres, com caminhos e soluções para a realização pessoal em variados temas, como amor, família, profissão e saúde, geralmente incluindo nesse pacote dicas de prosperidade regada a banhos herbáceos e rituais dos mais variados, de pedras a essências, de incensos ao uso dos melhores matizes pessoais. Nesse sentido, tende-se a firmar uma doutrina de fé para o ano, um balizamento baseado numa esperança estática que para alguns direciona condutas particulares, define ações e fundamenta caminhos. E o que há de errado com isso? Mais do que algo propriamente errado do ponto de vista moral, talvez haja algo de nocivo, caso o entusiasta das astrologias abra mão das escolhas e responsabilidades pela gestão da própria vida para se ater às justificativas sobre dificuldades pessoais e resultados almejados como sendo de causa apenas transcendental, ou como hoje está em voga, de cunho “energético”, seja um Orixá, um planeta retrógrado em oposição, uma regência cabalística ou, no caso da metafísica em questão, do zodíaco chinês.

            Nesse sentido oriental, há ainda uma complicação oriunda da adaptação de uma linguagem ideográfica para o sentido latino: além de muitos dos ideogramas desse estudo não representarem o nome do animal em questão (tal associação foi desenvolvida posteriormente), alguns deles tiveram uma tradução inadequada (já entre as línguas ocidentais) para o português, que culminou numa distorção de conceitos que reverbera até hoje. Três exemplos referenciais: Ramo II-Chou (Búfalo), geralmente traduzido como Boi, Ramo VIII-Wei (Cabra), referenciado como Carneiro e Ramo XII-Hai (Javali), indicado como Porco. Mesmo que haja similaridades, em literaturas ocidentais sobre o tema encontra-se uma interpretação poética deveras zoomórfica distante da proposta original, o que modifica muito os fundamentos da teoria, por vezes suavizando excessivamente as características de alguns desses ramos (seja pelo apelo estético ou cultural), ora trazendo divergências bizarras de interpretação. Aprofundando-se nessa incoerência, cita-se o animal regente de 2018, o Ramo XI-Xu (Cachorro). Mesmo que não ocorra aqui uma imprecisão dos termos ancestrais para a língua lusitana, o equívoco parece ser mais estrutural, um esgarçamento conceitual pelo status que esse animal alçou na contemporaneidade ocidental e a nossa projeção emocional em direção ao dito cujo, que vão desde “o melhor amigo do homem” até “fiel e amoroso escudeiro, um membro da família”. Desde então, características como lealdade, confiança, fidelidade, reconhecimento dos valores familiares e generosidade são associados a esse ramo, esquecendo-se a diferença de costumes, tradições e generalizando a informação como se fosse sempre assim. Se, por um lado, o boi tem algo de sagrado para um hindu, para os carnívoros ocidentais esse animal poderia indicar uma suculenta refeição; comparativamente, seria importante lembrar que, em alguns lugares da China, a culinária com abate de cães seja algo natural, o que é praticamente abominável em terras latinas. Como, no caso, utiliza-se a dinâmica da cultura chinesa como referencial metafísico de significação, essa adaptação afetuosa recheada de apelo emocional é passível de crítica pela imprecisão e distorção. Assim, recomenda-se buscar uma revisão sobre esses temas com mais serenidade, neutralidade e a diminuição da afirmação sobre a sacralização amorosa canina como sendo de origem sino-ancestral.

            A despeito da problemática dos conceitos e traduções, os 12 Animais (chamados de Ramos Terrestres na terminologia técnica), na verdade, significam muito pouco em si mesmos, pois apenas resumem códigos ancestrais mais complexos. Em outras palavras, foram dados os nomes de 11 animais cotidianos e 1 mitológico apenas como representação simbólica de condições específicas do Qi na Terra, para facilitar o entendimento da população em geral sobre a noção de tempo, ciclo e uso dos calendários. Em suma, a figura dos animais são apenas singelos embrulhos que identificam os conteúdos das caixas de sabedoria oriental. Conhecendo-as profundamente, não é mais necessário referenciá-las (e reverenciá-las) como um zodíaco, pois estas são muito pouco disto, na verdade.

 

A Questão dos Calendários e os Tipos de Abordagem

 

            Na China, existem duas maneiras tradicionais de se observar o ano energético:

  • Calendário Lunar: sistema ancestral, é muito utilizado para comemorações populares. Baseia-se na contagem de dias entre duas luas novas. Por esse sistema, o início do ano pode se dar entre janeiro e março, exatamente na segunda lua após o solstício de inverno. Muito utilizado nos sistemas cosmológicos simplificados, como o zodíaco dos animais (que utiliza somente o ano) e a técnica Yue Shu Ming Li (Numerologia Chinesa), bem como no complexo Zi Wei Dou Shu (Astrologia Polar);
  • Calendário Solar: desenvolvido por monges taoístas que possuíam grande conhecimento astronômico. Relaciona-se ao momento exato em que a energia Yin da Terra se transforma em Yang, ou seja, entre o solstício de inverno e o equinócio de primavera. É considerado muito mais preciso do que o calendário lunar, sendo utilizado nos meios de estudo da metafísica chinesa que requerem uma melhor acuidade, como no Jiu Gong Ming Li (9 Constelações) e no Zi Ping Ba Zi (4 Pilares do Destino). Por esse sistema, o início do ano sempre ocorre nos dias 3 ou 4 de fevereiro;

 

            No ano de 2018, o ano novo chinês, considerando-se a longitude 45º (Brasil), será no dia 03 de fevereiro pelo calendário solar e no dia 15 de janeiro pelo calendário lunar. Mesmo sendo muitas vezes uma afinidade do estudioso considerar uma ou outra data, considero particularmente a primeira opção (visão solar) a mais coerente para a maioria dos estudos técnicos, tanto de Feng Shui Tradicional quanto de Cosmologia Chinesa.

            Conforme mostrado em artigos anteriores, o tempo chinês é considerado de maneira cíclica, em padrões de constatação pontual (hora, dia, mês e ano) e global (ciclos de 9, 10, 12, 20, 60 e 180 anos, por exemplo, dependendo da metodologia utilizada). Existem dois tipos de linguagem utilizadas, sendo a primeira numerológica (baseada no Luo Shu – Quadrado Mágico), em que, no nosso estudo particular, inserimo-nos num momento de 20 anos (2004-2024) regido pelas características do que se chama de Estrela 8 e, especificamente, num ano que será supostamente influenciado pelo número 9.

            Já a segunda abordagem se refere à dinâmica do Wu Xing (5 Transformações do Qi ou 5 Elementos) sob a ótica das polaridades do Tai Ji Zun, o que possibilitaria dez códigos interpretativos (Madeira Yang e Yin, Fogo Yang e Yin, Terra Yang e Yin, Metal Yang e Yin, e Água Yang e Yin), podendo ser resumidas, figurativamente, conforme a tabela.

 

Wu Xing

Madeira

Fogo

Terra

Metal (Ouro)

Água

Palavras chaves

Movimento

Ação

Expressão

Segurança

Manifestação

Organização

Comunicação

Profundidade

Características Yin-Yang

Yang

Criatividade

Renovação

Imagem

Vitalidade

Infraestrutura Paradigmas

Ação planejada

Interpessoal

Imagem Poética

Uma Árvore Frondosa

O Sol

Uma Montanha

Uma Espada

O Rio

Yin

Cura

Delicadeza

Insight

Intuição

Base Interna

Manutenção emocional

Estratégia

Sedução

Intrapessoal

Sensibilidade

Inspiração

Imagem Poética

A Flor

A Erva

A Vela

O Vaso

As Joias

As Moedas

A Chuva

 

            As estruturas essenciais constroem o que se chama, arquetipicamente, de:

 

  • Tronco Celeste (Tempo no Céu): baseia-se nos 10 padrões puros citados;
  • Ramo Terrestre (Tempo na Terra): baseia-se também na infraestrutura do Wu Xing, mas considera uma distribuição complexa dos padrões acima em 12 aspectos de influência, em que há uma dinâmica na composição dos elementos. Como mencionado anteriormente, para facilitar o entendimento, cada um desses perfis complexos recebeu uma associação figurativa tardia com animais, na ordem: Rato, Búfalo, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Cabra, Macaco, Galo, Cachorro e Javali;

 

Troncos Celestes

Ramos Terrestres

Elementos Intrínsecos

1. Madeira Yang (Ma+)

I. Rato

Água Yin

2. Madeira Yin (Ma-)

II. Búfalo

Terra Yin / Água Yin / Metal Yin

3. Fogo Yang (F+)

III. Tigre

Madeira Yang / Fogo Yang / Terra Yang

4. Fogo Yin (F-)

IV. Coelho

Madeira Yin

5. Terra Yang (T+)

V. Dragão

Terra Yang / Madeira Yin / Água Yin

6. Terra Yin (T-)

VI. Serpente

Fogo Yang / Metal Yang / Terra Yang

7. Metal Yang (Me+)

VII. Cavalo

Fogo Yin / Terra Yin

8. Metal Yin (Me-)

VIII. Cabra

Terra Yin / Fogo Yin / Madeira Yin

9. Água Yang (A+)

IX. Macaco

Metal Yang / Água Yang / Terra Yang

10. Água (A-)

X. Galo

Metal Yin

 

XI. Cachorro

Terra Yang / Metal Yin / Fogo Yin

 

XII. Javali

Água Yang / Madeira Yang

 

            Perceba então de onde nasceu uma das maiores distorções interpretativas dos estudos astrológicos chineses: com o tempo, e sobretudo ao chegar em terra ocidentais, o que era apenas um facilitador interpretativo se tornou um estranho estudo zoomórfico, com casos em que o significado original dos elementos foi modificado pelo “achismo” do que o respectivo animal representante poderia significar. Desta feita, mesmo que se achem na história ancestral chinesa mitologias sobre a lealdade canina como símbolos de um bem-viver, um ano de Cachorro não será bom ou inspirador por lembrar o seu querido animal de estimação, mas pelo sutil e difícil estudo dos elementos que o compõe (Terra Yang, Metal Yin e Fogo Yin).

            A união entre Tronco (em número de 10) e Ramo (em 12 possibilidades) resulta em 60 Arranjos “Céu+Terra” denominados de Binômios, sendo este último um pré-requisito para se iniciar qualquer análise (perceba que muitos livros sobre tema apenas focam nas explicações do zodíaco chinês, o que é de uma generalização perigosa). Assim, com essa configuração, cada animal (que já é constituído por determinados elementos intrínsecos) recebe também uma “regência celestial”, podendo, portanto, pode ser de cinco tipos: Madeira, Fogo, Terra, Metal ou Água (todos Yin ou Yang, dependendo da polaridade do Binômio associado).

 

Processo Analítico e Desmistificação

 

            O ano passado foi regido pela Estrela 1 e binômio Galo de Fogo Yin. Como esse animal tem apenas o elemento Metal Yin na sua estrutura intrínseca, teríamos a seguinte simbologia:

 

Binômio - 2017

Significados simbólicos dos elementos

Significados simbólicos da Estrela 1

Fogo Yin

Vitalidade, fé, sentido de vida, motivação, alegria

Aspectos explícitos

Aspectos implícitos

Galo

------------------

Sensibilidade espiritual, profundidade e desafios emocionais, comunicação intra e interpessoal

Saúde e doença, apegos emocionais, medos, reserva, identidade familiar

Metal Yin

Valor e prioridades, autoanálise e perspectiva pessoal

 

            Parece-me interessante analisar tal disposição da seguinte maneira: se há, pelos anseios, carências e receios do comportamento coletivo e particular, tendências que se encaixem no arquétipo do momento (quase que atendendo o sentido de Zeitgeist), o espirito intrínseco que reflete o modus operandi do homem pode ser visto pelos códigos em questão. Assim, algumas possíveis observações de 2017:

 

  • Esperança de harmonia focada em hábitos conhecidos (família, celebrações, etc.);
  • Retomada da espiritualidade sob um ímpeto religioso, devocional ou sistêmico;
  • A sensação de insegurança gerando uma polarização pelos índices proteção e controle;
  • Flutuação das Vontades, dificuldade de foco, perda de estímulo pessoal, melancolia, fechamento;
  • Verborragia, exposição de condutas inapropriadas;
  • Guerra psicológica, ameaças, estratégia militar;

 

            Sobre 2018, relembrando que as regências se iniciam no dia 03 de fevereiro, observa-se Estrela 9 e binômio Cachorro de Terra Yang. Como esse animal tem os elementos Terra Yang, Metal Yin e Fogo Yin como composição, teríamos a seguinte simbologia:

 

Binômio - 2018

Significados simbólicos dos elementos

Significados simbólicos da Estrela 9

Terra Yang

Foco em segurança, regras, dogmas, pragmatismo

Aspectos explícitos

Aspectos implícitos

Cachorro

------------------

Celebrações, iluminação, foco na imagem e performance. Expressão, reatividade, altos e baixos na vitalidade, explosões.

Liderança, necessidade de diretriz e controle, fechamento, ordenação.

Terra Yang

Foco em segurança, regras, dogmas, pragmatismo

Metal Yin

Valor e prioridades, autoanálise e perspectiva pessoal

Fogo Yin

Fé, identidade, religiosidade, buscas referenciais

 

            Nesse sentido, o que poderiam significar tais informações? Um desafio a respeito dos nossos maiores temores, uma busca por uma segurança externa que dê uma resposta satisfatória às convicções que julgamos sagrados e imutáveis (geralmente associados à família e verdades místico-religiosas), alguém ou algo em que possamos transferir as responsabilidades e culpas pelas mazelas cotidianas? Mesmo que isso represente dedos em riste, construções de muros, choques entre ideologias morais, fechamentos e términos de diálogos construtivos? A validade das nossas certezas estaria apenas naquilo que já conhecemos e nos grupos nos quais a identidade é definida pela repetição da tradição, do senso comum, do mesmo? Estaríamos trabalhando num renovado senso de segurança interna e coparticipação criativa (uma eudaimonia pessoal e coletiva) ou, como fizemos nas repetições das nossas memórias mais trágicas na história: consideraremos categoricamente o alter (diferente) e o alius (estranho) como inimigos, sendo a divergência e o incômodo como coisas a serem eliminadas a qualquer custo?

            É provável que muitos aspectos pontuais se alinhem nos questionamentos acima, mas não ousaria afirmar que eventos (sejam políticos, sociais ou naturais) ocorrerão, ou até mesmo quais movimentos estratégicos precisaremos realizar para sairmos ileso dos problemas e otimizado em garantias de sucesso. O motivo para tal afirmação se baseia no fundamento da construção da realidade física como conhecemos: a noção de Escolha como fator atrator dos eventos. Em suma, especular sobre o que ocorrerá é moldar o novo pela perspectiva do antigo, pelo reforço do hábito, ou seja, é construir apenas pela repetição do que se sabe, sem dar espaço à renovação. De antemão, necessita-se relembrar que nada, além de você mesmo, na relação ética e empírica com o mundo, deveria saber como agir ou ser. Partindo de tal premissa, também as simbologias estudadas não revelam necessariamente uma ordem cósmica maior, mas apenas, e para os que creem nisso e tem afinidade nessa linguagem, um espelho sincrônico sobre as tendências de comportamento mecânicas de nós mesmo que fazem as coisas serem o que são, no pior e melhor dos casos. Assim, um olhar dinâmico, principalmente nos Novos Tempos, seria refletir também sobre as possibilidades de reinterpretações dos códigos, que envolveriam, sobretudo, reavaliações sobre si mesmo. Mais do que “o que devo esperar do ano”, talvez nessa nova realidade, seja requerido algo mais coerente, tal como “o que farei de mim mesmo, nesse ano, o que mudarei de fato”, já que os elementos em questão, se realmente existem, estão prioritariamente em nós, interpretadores deveras circunstanciais das ocorrências. O que escolheremos fazer dos nossos mundos, portanto, em 2018, além das zonas de conforto e lamentação?

 

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Autoria

Texto e imagens de Marcos Murakami - Diretor do Instituto Eternal Qi - Centro de Ensino e Pesquisa - Ministrante de cursos de Feng Shui - (11) 2959-2668 / 98148-4816 - falecom@institutoeq.com.br - Fevereiro 2018

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