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Diabetes, um risco para o coração

Diabetes, um risco para o coração



Os diabéticos devem ter muito cuidado, não apenas com o controle da glicemia, mas também com o seu coração. A enfermidade é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas como enfarte, acidente vascular cerebral (AVC) e entupimento das artérias, especialmente pernas e pés, além da formação de aneurismas, a dilatação do vaso sanguíneo.

Com o aumento da concentração de açúcar no sangue, o diabetes altera as estruturas do coração, o que pode provocar um infarto sem dor ou com sintomas atípicos. Em geral o enfarte se manifesta com dores no peito, no braço esquerdo, na mandíbula, na região do estômago e sudorese.

O diabético costuma não ter nenhum desses sintomas e daí o perigo maior, pois o paciente acaba não procurando o atendimento médico especializado com a urgência necessária.

Hoje há medicamentos que combinam o controle da glicemia com a redução dos riscos para o coração. Mas deve ficar claro que o remédio mais importante é a prevenção, tanto para o coração quanto para a diabetes.

São muitas as opções terapêuticas e com drogas mais modernas. Uma delas é um antidiabético oral com benefícios para o coração. Em testes com mais de sete mil diabéticos de tipo 2 com alta probabilidade de enfarte, o medicamento demonstrou redução de até 38% no risco de morte cardiovascular, além de uma queda de 35% no índice de hospitalização por falhas cardíacas. Mas o paciente deve evitar sempre a automedicação.

Tratamentos como esse, somados a hábitos saudáveis, como exercícios e alimentação equilibrada, são importantes para o controle do diabetes e podem garantir uma boa qualidade de vida ao paciente.

Cerca de 10% da população adulta brasileira são diabéticos. Segundo dados da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), 41% tomam medicamentos, 29% fazem apenas dieta, 23% não seguem nenhum tratamento e 7% são dependentes de insulina.

O risco de sofrer um enfarte aumenta 40% nos diabéticos homens e 50% nas mulheres. Uma vez instalada a doença, outras condições de risco aumentam, como a pressão alta e o colesterol elevado. O diabetes é uma doença perversa, difícil de ser removida e causadora de muitos outros problemas. Cuidados dietéticos protegem o pâncreas, evitando seu esgotamento precoce na capacidade de produção de insulina.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes; a taxa de incidência cresceu 61,8% nos últimos dez anos. É uma epidemia global e o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking dos países com o maior número de casos, atrás de China, Índia e Estados Unidos.

E a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que, em todo o mundo, cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem vítimas de doenças cardiovasculares a cada ano. No Brasil, a situação não é diferente: a média anual chega a 350 mil, o que corresponde a uma vida perdida a cada 40 segundos; duas vezes mais que todas as mortes decorrentes de câncer e seis vezes mais que as provocadas por todas as infecções no país.

A preocupação maior é que muitas pessoas não fazem a associação entre diabetes e coração. Uma pesquisa do Ibope apontou que menos da metade dos entrevistados (42%) citou as doenças cardíacas como consequência mais relevante do diabetes. E, mesmo entre os diabéticos, elas só foram mencionadas por 56%.

Portanto, nos dois casos os cuidados devem ser redobrados. Caracterizado pela deficiência na absorção de glicose e consequente acúmulo na corrente sanguínea, o risco de ocorrência de enfarte em diabéticos é de duas a quatro vezes maior se comparado com uma pessoa sem a doença.

O acidente cardiovascular é mais frequente em diabéticos, daí a importância de avaliações periódicas preventivas da saúde do coração, mesmo sem sentir dores ou desconfortos.

O fato é que todas as doenças do miocárdio – AVC’s, hipertensão, ataque cardíaco, aterosclerose e outras - resultam de um estilo de vida inapropriado. Entre os principais fatores que ocasionam estas doenças estão excesso de gordura abdominal, hipertensão, sedentarismo, dieta pobre em fibras, história de diabetes na família, tabagismo, álcool, sedentarismo, obesidade, além do estresse do dia-a-dia.

Mesmo que a pessoa não fume, não beba e caminhe regularmente, ainda assim deve ficar atenta, pois viver sem estresse nas grandes cidades brasileiras é quase um milagre. Sem a companhia da violência ou da poluição, impossível. Qualquer pessoa pode sofrer de pressão alta, uma doença silenciosa. Estima-se que um quarto da população seja hipertensa.

E nada na medicina substitui aquele verbo que todos conjugam, mas poucos praticam: prevenir. Não contém contraindicação. Mesmo que não haja na família um parente com histórico de doença coronariana, ou mesmo nenhum sintoma, ainda que se sinta forte como um touro ou esportista, não deixe de estar sempre atento ao seu coração.

Também é importante manter a visita ao cardiologista e ao endocrinologista em dia, realizar os exames, monitorar os medicamentos de que faz uso, além de praticar exercícios indicados e seguir uma alimentação adequada.

E procure imediatamente o médico em caso de descontrole da glicemia, falta de ar (seja no repouso ou no esforço), dor no peito (em virtude de má circulação sanguínea no local), cansaço fácil, desmaio após atividade física intensa, dor de cabeça, inchaço nos tornozelos.

Portanto, aos diabéticos, uma recomendação: ao controlar seus níveis glicêmicos, mantenha ao mesmo tempo seu coração em bom estado de funcionamento.

Não há motivo para alarme se tudo estiver sob controle. Pelo contrário, com prevenção se garante uma existência longa e mais saudável.

Fonte: Dr.  Américo Tângari Jr - especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira


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Texto de: GT Marketing e Comunicação – Junho 2018

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