Corpo e Mente
O nosso real valor

O nosso real valor

 

A avareza

Conta uma antiga história que três amigos viajavam juntos, a pé, e encontraram um grande tesouro. Depois de o repartirem eqüitativamente, continuaram seu caminho, cada um pensando o que iria fazer com a sua parte da fortuna. Após alguns dias de caminhada, acabaram-se as provisões que levavam e, de comum acordo, resolveram que o mais novo iria à cidade mais próxima comprar alimentos para o restante da jornada.
Este, quando se dirigia à cidade, começou a “maquinar” um modo de ficar com toda a fortuna só para si, não sendo difícil chegar-se à conclusão de que isso era bastante possível se envenenasse a comida que ia comprar. Se assim pensou, assim o fez, resolvido a dizer aos “amigos” que não iria comer com eles, por já o ter feito na cidade.
Entretanto, os outros dois também tiveram a mesma idéia, ou seja, de ficarem com a parte do que tinha ido à cidade, e resolveram matá-lo.
Quando ele voltou, apunhalaram-no em pleno bosque e, após cometerem o assassinato, ignorando por completo o plano sinistro do companheiro morto, puseram-se a comer alegremente, pensando cada qual o quanto seria rico se possuísse todo o tesouro. Porém, o veneno logo produziu o seu efeito e ambos morreram vítimas da sua avareza.
Platão, um dos maiores gênios que a humanidade já conheceu enumera, pela ordem seguinte de importância, os bens corporais: saúde, beleza, força e riqueza. Porém, acrescenta que a riqueza não é cega, mas bastante clarividente, quando iluminada pela prudência.
Existem pessoas que chegam a tal grau de aperfeiçoamento individual que não precisam possuir certas coisas para as desfrutar. Nem a inveja nem a ambição desmedida acham refúgio em seu caráter. Contentam-se com a riqueza alheia.
Conta-nos uma história persa que, certa vez, um rico príncipe apresentou-se numa reunião ricamente ornado de diamantes e diversas outras pedras preciosas.
Um dos presentes aproximou-se dele manifestando o seu profundo reconhecimento por ele ter se apresentado daquela maneira tão rica, o que obrigou o príncipe a lhe perguntar:
- Por que me agradeces? Não me lembro de ter-te, alguma vez, presenteado com qualquer jóia.
- Não – replicou o agradecido – mas é que vossa alteza me proporciona a ocasião de as ver e admirar, que é tudo quanto vós podeis gozar delas, de modo que, entre nós, não há outra diferença senão a de teres o trabalho de as vigiar para que não as roubem, ao passo que eu estou livre de tais cuidados.
Se pensarmos no que custa a conservação dos parques e jardins da nossa cidade, dos museus, das galerias de arte, das bibliotecas e arquivos públicos, de tudo quanto se pode desfrutar sem gastar um centavo, por muito pobres que sejamos, não poderemos dizer que nada possuímos neste mundo.

O caráter

A arte de agradar tem suas regras fundamentais na retidão de conduta, sentimentos elevados, espontânea amabilidade e um espírito sempre disposto a evitar ofender o próximo, já que é impossível contentar a todos.
A faculdade de agradar não pode ser de modo algum falsa ou mentirosa. O melhor meio de conquistar simpatias gerais é proceder com naturalidade, até que os outros se convençam do nosso interesse amistoso que temos por eles; porém, isso tem de ser feito sem hipocrisia ou fingimento, sem frases vulgares que demonstrem bajulação, porque, então, a voz e o olhar revelarão a nossa falta de sinceridade, por mais que a procuremos disfarçar.
A maioria das pessoas que ainda não conhecem a filosofia do bem-viver se deixam levar pelo impulso das simpatias e antipatias, dos seus gostos e desgostos, atrações e repulsões; mas, por muito rude que uma pessoa seja, ela não deixará de notar a influência de uma pessoa de caráter verdadeiramente superior. A persuasiva superioridade pessoal é irresistível, pois a experiência nos diz que, enquanto uns nos provocam respeito e adoração, outros, só com sua presença nos provoca repulsa.
Quem seguir pela vida afora, com cara de cão zangado, sempre triste e carrancudo, sem um olhar amigável nem um gesto afetuoso, com certeza só há de encontrar antipatias, porque o natural é atrairmos o semelhante, ou seja, simpatia atrai simpatia, e antipatia atrai antipatia. Preferimos a luz às trevas e os dias ensolarados são, é claro, preferíveis aos chuvosos.
A tristeza, que carrega consigo a introspecção, a melancolia, o aborrecimento ou o desgosto, é uma terrível disposição de espírito que agrava a causa de onde provém, sobretudo quando, como na maioria das vezes acontece, está envolta no ódio que temos ao próximo.
Existem ocasiões em que o desgosto causado por algum infortúnio (a morte de um filho, por exemplo) é tão grande que não encontra meio apropriado para desfazer tal expressão física, onde, então, merece nosso respeito e solidariedade, porque tal não vem acompanhada de ódio ou repulso por nossos semelhantes.
O caráter amável, sem bajulação, bom sem ser fraco, de respeito sem ser servil, é um dos maiores e mais eficazes fatores do êxito. É mais forte do que a habilidade, porque leva o ser humano “comum” às mais elevadas posições sociais, ao passo que um homem de grande inteligência, sem amabilidade, por certo terá muito mais dificuldade de subir na vida.
O caráter não é uma força oculta ou misteriosa que Deus tenha dado a uns e negado a outros, mas sim a essência espiritual que todos nós podemos demonstrar, arrancando-a do nosso interior. O caráter é constituído por qualidades fortes e positivas, como a fé, o amor, a generosidade, a decisão, a esperança e a alegria. É invisível aos olhos dos “indiferentes” e nem o mais delicado e sensível processo fotográfico é capaz de reproduzir; porém, a sua influência é notada por todos aqueles que entram em seu raio de ação.
Se uma pessoa permanece fria, envolta em pensamentos egoístas, é certo que jamais atrairá simpatias alheias. Ninguém o procurará de boa vontade.
O único meio de receber amor é amar. O amor desfaz os nós apertados do egoísmo e da tristeza e da melancolia.
O mundo tem para conosco o que nós temos para com ele. É um imenso vale de eco. Se rirmos, também ri; se maldissermos, amaldiçoa-nos.
Não devemos pensar exclusivamente em nós próprios. Devemos nos interessar pela felicidade alheia com sincero desejo de auxiliar o próximo em tudo quanto pudermos, e certamente o nosso caráter vai se aperfeiçoando e aumentando a nossa felicidade individual, no mesmo grau e medida com que contribuímos para a felicidade do gênero humano.
Muitas pessoas são repulsivas e antipáticas, porque estão sempre fechadas em si mesmas, absorvidas nas suas preocupações e inquietações. Têm vivido tanto tempo egoisticamente, que perderam toda a relação com o mundo exterior. A sua vida foi sempre tão subjetiva que lhes parece impossível viver na coletividade.
O ser humano não pode viver isolado, a margem da sociedade, a não ser quando transpõe o mundo físico e emotivo, para se concentrar no espiritual.
Porém, poucos alcançam esse grau de evolução em que é possível viver isolado, livre dos laços carnais. A maioria esmagadora da humanidade tem a consciência fixa no mundo físico e emotivo; somente uma minoria seleta o tem, no mental e pouquíssimos, no espiritual.
Assim, enquanto o homem tiver concentrada a sua consciência no mundo físico, e a sua vida se alimentar pelos sentidos corporais, não pode nem deve estar só, nem se retirar egoisticamente do meio social, porque, se pensar bem, verá que tudo à sua volta que lhe serve de proveito e comodidade, provém do trabalho alheio.
É bom nos lembrarmos que o lobo nunca ataca sozinho; é que, como observou Rudyard Kipling (prêmio Nobel de literatura de 1907), “a força não está nele próprio, mas sim na alcatéia”.

O desejo

A potência das forças mentais e espirituais do ser humano equivale a sua manifestação corporal, que provém da inesgotável Fonte Divina.
Por isso, o desejo jamais é completo, nem a aspiração plenamente realizada; porque, ao atingirmos o alto de uma montanha que nos parecia quase impossível de ser escalada, quando estávamos no seu sopé, descobrimos, ao longe, outra montanha, ainda mais elevada, na qual nos sentimos excitados e estimulados a escalá-la.
A voz misteriosa que ecoa no nosso íntimo, não para de gritar: para frente!  E, quando o desejo perde o seu vigor, o próprio aborrecimento da inércia se encarrega de o despertar.
Porém, se um ser humano se recusa, sistematicamente, a não trabalhar para o seu aperfeiçoa-mento individual e persiste em ser uma nulidade, a voz misteriosa vai-se, pouco a pouco, se distanciando, até se tornar inaudível, perdendo-se no espaço.
É comum vermos estudantes brilhantes serem vencidos quando lançados na vida prática, quando colocados frente a frente com a realidade da vida, que pensam que ser o primeiro nos estudos acadêmicos é o mesmo que vencer na luta competitiva do dia-a-dia.
Esses elementos, ante a dificuldade apresentada de se tornar “alguém”, declaram-se antecipa-damente derrotados, julgando que o adversário é imbatível, e assim, as suas aspirações se extin-guem pouco a pouco, até se tornarem uma minúscula partícula; e aí, põem a culpa nos outros, no sistema, na crise, no governo...
No momento em que deixamos de crescer, física, moral e intelectualmente, começamos a decair, porque o esforço para realizar o desejo de aperfeiçoamento individual se vê encurralado pela natureza inferior, que a todo instante procura sufocá-lo.
Até aqueles que alcançam um nível intelectual superior ao do homem comum, não estão livres dessa luta, travada cotidianamente em todos os níveis da natureza, entre o espírito e a matéria, a vontade e o desejo, a razão e a paixão, o superior e o inferior. Porém, o triunfo do superior sobre o inferior e do bem sobre o mal, ainda que com dificuldades, tem de ser definitivo, para que a humanidade progrida no caminho da sua evolução.
A luta mais terrível que existe é aquela que a natureza superior do homem trava diáriamente com a inferior, e por isso devemos nos precaver e vigiar, para que não vença a inferior. É certo que cada um tem um “vigilante” no seu íntimo; mas, quando esse vigilante se descuida, começamos a enfraquecer.
A luta titânica pelo alcance dos nossos objetivos e a realização dos nossos ideais constitui a nossa obra de maior valor. Devemos sempre empregar o máximo esforço quando subimos, e não depois que atingimos o alto da montanha. Raramente filhos de pessoas bem sucedidas põem em evidência as suas habilidades individuais, mesmo que a riqueza dos pais as faça sobressair. Falta-lhes a mola propulsora para os fazer elevar; o estímulo da necessidade.
Mas o desejo tem de ser nobre, legítimo e inspirado por um fim elevado que valoriza a vida e beneficia a humanidade, porque, do contrário, não alcançaremos um lugar de honra no mundo.
A falta de êxito, na quantidade e na qualidade, depende da falta de objetivo e determinação. Quem não possuir estas qualidades em elevado grau, deve cultivá-las, sob pena de ficar toda a vida na retaguarda do seu ciclo social.
Ninguém consegue resultados efetivos neste mundo, se não mantiver vivo o esforço de sua legítima e honrosa aspiração. Desde o momento em que esse esforço enfraquece, perdemos a força impulsiva e caminhamos a esmo, sempre arrastados pelas circunstâncias.         

 

Professor Carlos Rosa: Contato: (11) 5584-7378

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Texto de: Prof. Carlos Rosa

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