Corpo e Mente
Pacificando a raiva - Tolerância

Pacificando a raiva - Tolerância

“A Raiva nos devasta por dentro. Induz situações complexas, problemáticas. E cria cada vez mais sofrimento em nossas vidas”. -  Dalai Lama


Não faça nada, mas não se torne um nada.
Essa filosofia é muita conhecida dentro da Kabala (sistema místico judaico). Quando entrar numa dimensão de ódio, tristeza, depressão, raiva, tente perceber como é interessante simplesmente sentar-se em silêncio para praticar o não fazer nada. Experiência nenhuma, experiência zero.
Em nossa cultura, quando os pais vêem uma criança sem fazer nada, logo dizem: “Vá fazer algo, vá estudar, vá trabalhar, vá brincar”. Enfim, o não fazer nada é algo que muitas vezes incomoda. Mas é fundamental em alguns momentos.
A Cabala ensina que é mais importante não fazer nada do que se tornar um nada. Por exemplo, seria melhor se Hitler não tivesse feito nada, em vez de ter feito tudo o que fez, tornando-se um nada,  uma pessoa perversa que trouxe sofrimento às pessoas.
Quando uma pessoa sai na rua embriagada e atropela alguém, melhor seria ela ter ficado recolhida no lar, sem fazer nada, do que se tornar um nada.
Quando alguém estuda anos até a universidade, para depois ser um perverso, roubar, limitar e punir, melhor seria se não tivesse feito nada do que estudado para chegar a isso.
Quando uma pessoa assalta, melhor seria não fizesse nada em vez de tornar-se um nada.
Isso me lembra a idéia de contarmos até dez antes de tomar uma atitude muitas vezes agressiva. Esse contar até dez é entrar exatamente na dimensão de não fazer nada. E você deve lembrar de momentos do passado quando o melhor teria sido não fazer nada do que ter se tornado um nada.
Em que situações de sua vida teria sido interessante a prática do nada?
Atenção. Isso já passou, não existe mais. Não se culpe, mas reflita sobre o que você pode aproveitar dessas situações.
Certa vez eu estava com a mestra Diana Prem Zeenat, fazendo uma peregrinação na Europa, quando, fascinado por uma igreja em Veneza, não percebi que o grupo que estava conosco tomou outro rumo e me deixou sozinho. Na hora eu me senti como se tivessem “esquecido” de mim. Lá estava eu: na Itália, perdido, sem falar italiano, sem passaporte e sem dinheiro. Minha primeira reação foi de medo e logo depois de muita raiva e indignação, reações que injustamente dirigi a Diana. Hoje sei que queria achar um culpado que não fosse eu.
Depois de esperar alguns minutos, saí à procura do grupo, num gesto impensado, pois o ideal seria esperar que eles me procurassem. Mas não soube manter a serenidade e agi movido pelo impulso de raiva, tornando-me um nada, em vez de não ter feito nada e esperado.
Saí andando por Veneza, em direção ao nosso hotel, e até peguei carona de barco. Quando lá cheguei, após duas horas de verdadeiro sufoco, minha intenção foi descarregar a ira em Diana, que estava no hall do hotel, aflita. Ao vê-la com aqueles olhos azuis cheios de lágrimas, preocupada por eu ter me perdido, ainda tentei manter a raiva e pedi dinheiro para almoçar sozinho. Ela me deu e foi atrás de mim, pedindo desculpas por uma culpa que não era dela. Após alguns minutos, já mais controlado, eu a abracei e me senti em paz ao ser tocado por alguém que tanto admiro. Nessa situação foi fundamental eu não ter feito nada, em vez de me tornar um nada e brigar.
O caminho da intolerância e da raiva é bem-vindo em algumas situações na vida. Parece absurdo afirmar isso, mas reflita você mesmo. Intolerância e raiva em algumas situações é um bom caminho.
Quando escolhemos caminhos de vícios, como cigarro, drogas, álcool e tudo o que é compulsivo (jogos, alimentos, sexo etc.), ou ainda temos sentimentos perversos, como ódio, inveja, depressão etc., podemos nos auto-investigar e sermos intolerantes com tudo o que nos faz mal.
Mas há também outras situações de intolerância que acontecem fora de nós e podemos avaliá-las. São elas: guerra, corrupção, tráfico de drogas ou animais, mau uso de cargos públicos, políticas hierárquicas, injustiças financeiras etc. Tudo isso gera descontentamento e com razão. Mas que essas situações não criem ódio em você nem tirem sua paz.
Sábios e iluminados nos ensinam a não vender a nossa paz por qualquer coisa. Quando saio na rua e caio num buraco ou pego trânsito congestionado, ou faróis mal regulados etc., se necessário ligo para a companhia de tráfego e exijo providências, mas não crio ódio por causa disso, não perco minha paz.
Se você caiu com o carro num buraco que havia no asfalto, escreva, telefone, proteste, enfim, faça algo se possível, mas não deixe que um buraco tire sua calma.
Se você sabe que paga impostos injustos, mas se não pagá-los vai para a prisão, faça algo se possível, porém não deixe que isso tire sua paz. Se puder fazer algo contra impostos parasitas, maus políticos, injustiças, empresas mercenárias, sistema de saúde ineficiente, faça-o, mas sem perder a paciência.
Ter um pouquinho de raiva e indignação pode até ser útil, mas jamais deixe que esses sentimentos se transformem em ódio, pois isso nada ajuda a mudar as situações negativas e só vai lhe fazer mal.
Os lamas tibetanos, especialista em tranqüilidade e ética planetária ensinam que a raiva em pequenas dimensões pode ser utilizada em causas nobres. Um exemplo é a raiva contra todo tipo de tortura e prisões políticas, que moveram muitos a participar de movimentos da Anistia Internacional, ou a indignação em relação às vítimas de guerras, que faz os Médicos Sem Fronteiras e a Cruz Vermelha realizar um trabalho tão lindo de auxilio humanitário, ou a revolta contra a destruição ambiental, que faz o Greenpeace ajudar na preservação do planeta.
Portanto, seja tolerante com sua raiva quando essa energia movimentar a sensação de contentamento no planeta. Seja intolerante quando essa raiva virar ódio e criar descontentamento.
Os sábios cabalistas dividem a raiva em duas qualidades: apego e compaixão.
A raiva/apego provém de julgamento, vingança, inveja etc. Esse sentimento não faz bem a ninguém e só tende a crescer em quem o desenvolve.
A raiva/compaixão é a que vem do desejo de justiça, solidariedade. Compaixão aqui consiste em respeitar todas as formas de vida, em ser gentil e afetuoso. Nesse caso a raiva/compaixão é um sentimento que constrói, que emite vibrações de justiça. Ela nos move a  nos engajar em movimentos que façam deste planeta um lugar equilibrado.
O ódio, em seu interior, é um câncer que começa energeticamente e pode se tornar físico, cria moléstias físicas e emocionais como medo, depressão, tristeza, frustração etc.
A raiva, a ira, o pavio curto são sempre uma escolha pessoal. Até mesmo um hábito lamentável para muitos. Como conseqüência da raiva, o irado ganha fisicamente hipertensão, úlceras, gastrite, insônia, cansaço e muito mais. A troco de quê?

Reflexão

Emoções que podem criar ódio e raiva:

• Irritar-se com os atrasos.
• Irritar-se quando perdemos algo.
• Irritar-se com os que nos odeiam.
• Irritar-se quando um time esportivo perde
• Irritar-se com o sistema judiciário.
• Irritar-se por causa dos impostos.
• Irritar-se no trânsito.
• Irritar-se quando se procura vaga para estacionar.
• Irritar-se com pessoas lentas.
• Irritar-se com situações mundiais.

Que raivas você acrescentaria a essa lista?
Quais delas provem de julgamentos, impaciência e ira inútil?
Quais delas vêm da compaixão, do desejo de justiça, respeito e solidariedade?
Você pode pensar que, além de doenças, não ganha nada com a raiva, mas ela lhe dá, sim:
• pena de si mesmo. Quando termina o acesso de raiva, você acredita que ninguém no mundo o compreende, por isso se faz de vítima;
• a falsa sensação que é poderoso em suas explosões;
• a impressão de que pode manipular as pessoas mais fracas. E assim se torna um manipulador.

De bom mesmo a raiva não serve para nada. Escangalha com seu ser e com sua felicidade. Como mudar isso? Não permita que sua mente interprete tudo como uma agressão a você.
Um truque é adiar a raiva, por alguns instantes. Pense ou diga em voz alta: “Vou ficar um minuto sem raiva” e aos poucos vá aumentando o tempo de paz. Buda ensinava: “a ira começa com a ignorância e termina com o arrependimento”.
A idéia aqui não é reprimir a raiva, e sim evitar que ela se instale.
Lembre-se de que você pode não gostar de uma porção de coisas, mas não precisa ficar com raiva delas.
Não seja infantil a ponto de achar que o mundo o persegue. Peça a uma pessoa próxima para segurar sua mão, durante o ataque de raiva, para que assim esse sentimento se enfraqueça. Não faça nada. Não se torne um nada.
Lembre-se do óbvio: engarrafamentos existem, crianças fazem barulho, cachorros latem, cidades grandes são poluídas, nem todos estão neste planeta para agradar você.

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